Ninho... Menino... Pequeno.
Assim é que todos viam o rapaz de olhos sempre marejados e que tinha cabelos com ondas de mar.
Ninho viveu muito tempo sem se ouvir, sem saber pra onde ir, sem se permitir buscar sem ter medo de perder ou errar.
Vivia num ninho. Ninho que lhe acalentava, ninho que acariciava, mas não protegia.
Cabelos de mar... Cabelos apelidados por sua mãe que sempre via nas ondas capilares o redemoinho de idéias de sua criação. Iemanjá entende do mar, entende o respeito ao mar. Mas ela não pode mudar correntezas. Ela apenas ilumina para que seus filhos tenham força para enfrentá-las.
Iemanjá mãe sofre ao ver que Ninho abriga constantemente olhos marejados de lágrimas que vivem presas.
Iemanjá resolve sair de cena e deixar que Iansã, sua irmã, com a força dos ventos mude a rota das ondas contidas no mar cabelo de Ninho.
E no correr dessas águas perdidas em meio ao vento o desconhecido faz-se presente.
Por seus olhos passaram mundos, desejos, vontades, coisas que ele não entendia, mas eram suas. O que é da gente não adianta negar. Demora mas acontece. O peito começou a rasgar e Ninho decidiu voar.
Voou sem pressa, sem destino, sem...
Um vôo de um corpo em seu próprio corpo. Um corpo lindo que guarda em si a essência do belo, a essência do novo, a essência da troca mas também da busca constante.
Naturalmente!
Ninho perde-se nas águas do tempo.
E o tempo não passa para aqueles que decidem se ouvir. Ouvir o que a gente tem a dizer é algo misterioso. As palavras certas são ditas sempre.
O desconhecido torna-se comum. Torna-se presente.
Ninho menino cabelos de mar não retorna pois ainda é começo. Ainda é desencontro, ainda é...
De um ninho ele não mais precisa. Não para se proteger. Para descansar. Para entender o presente para se reencontrar mais adiante.
Cabelo de mar..., águas doces de olhos brilantes, alma de vento...
Ser complemento realmente é para poucos.
Mas isso ele não sabe.
Ainda não é hora de voltar.
Novembro 2008
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
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2 comentários:
Oi, Emerson! Adorei seu blog, principalmente este texto. Georgina que se cuide.
Quando é que publicará seu livro, hem?
Beijos de Rubens
Nossa, nem sei como descrever tão belo poema.....
Ninho Cabelos De Mar.... menino.. "sempre" pequeno...
o viver num ninho acredito ser constante,...sai/nãoquer/quer/vai...
quando rasga-se o peito e o voo começa... "as coisas acontecem!!! e o perder é/será constante... faz parte dessa busca/vida!"
ADOOOOOOORO D+ VC. como você diz/escreve: "Bjs na Alma"
Ninho - JB
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