quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Voz Nua.

À” menina mulher da pele preta e sorriso branco” que nasceu no dia 09/11.

Ela cantava.
E seu canto enchia não só o banheiro como sua casa, a rua, o bairro, a cidade... O espaço!
Nunca soube ao certo quem era, o que queria, quem queria, onde queria estar. Apenas sabia cantar.
Dizia que nasceu para ser fruto e não semente.
Cantava com um cheiro de maçã, um cheiro de prazer!
Um dia a menina resolveu encontrar respostas para suas perguntas. Criou asas, voou alto, mas não pousou. Queria encontrar aquilo que poderia ser o motivo de seu canto.
Ele a encontrou.
E a fez voar mais alto. Alimentou sua existência. A fez chorar, a fez pensar... A fez cantar!
Quando pousou percebeu que o ninho já não mais lhe pertencia e que era momento de abrir aquilo que nunca foi aberto.
Às vezes não percebemos quando as coisas devem ser abertas, mas precisamos saber que nem tudo que se abre se fecha. Muitas vezes fica - se um vão. Por este vão passam coisas que nunca se vão; elas sempre entranham. E quando entranham a voz se cala.
A menina ouve o canto de sua alma e resolve fazer daquele vão sua música.
Vai cantar tudo a todos.
Vai cantar para se encontrar, aventurar para cantar, cantar sem dançar. Em busca do canto perfeito!
A voz repleta de nódulos resolve despir-se. A menina, agora, tem uma voz nua.
Nua!
Repleta de nada. Nada! Nada! Nada!
É nessa nudez que ela um dia procurou encontrar a forma de cantar o silêncio. Silêncio que sempre habitou seu ser.
Ontem a vi cantando para a lua.
Um canto profundo, sincero, canto de filha pra mãe. Um canto que só ela entendia. Um canto com voz verdadeira de uma mulher, não mais uma menina.
EMERSON DE PAULA
NOVEMBRO 2005

Um comentário:

Unknown disse...

Liindo, lindo, lindo!